NOS Primavera Sound, dia 1: a vitória da electrónica

NOS Primavera Sound, dia 1: a vitória da electrónica

Arrancou ontem a quarta edição do NOS Primavera Sound, no Parque da Cidade do Porto. Com a lotação a meio gás, afinal de contas era quinta-feira, dia de trabalho, e com o tempo frio que pedia música para dançar e aquecer. Sem existir um claro vencedor para o prémio “Melhor concerto da noite”, salientam-se grandes espectáculos e boas revelações, sobretudo no palco secundário com FKA twigs e The Juan Maclean.

O Parque da Cidade do Porto é por natureza um local para relaxar. Como tal, a organização aproveitou esse factor distribuindo toalhas, dando aquele toque de piquenique e de passeio de família ao festival. Muitos foram os que se sentaram na relva em frente aos palcos. Quem se sentou em frente ao Palco Super Bock teve um bónus: Bruno Pernadas. O músico português teve as honras de abertura do festival e trouxe até ao Parque da Cidade sonoridades não muito comuns num local destes. O jazz e o folk foram muito bem recebidos pelos festivaleiros.

O primeiro dia do NOS Primavera Sound trouxe apenas nove concertos mas, mesmo assim, foi o suficiente para provocar decisões bastante difíceis: Mac DeMarco ou Patti Smith. É certo que Smith ainda vai voltar a atuar no festival, no entanto o concerto previsto para o Palco Pitchfork tinha outros moldes: acústico! No palco, várias cadeiras esperavam o público, no entanto estas não foram necessárias perante a energia que a cantora de Chicago levou. O intimismo deste concerto ficou assinalado quando Patti revelou que tinha passeado pelo Porto e que tinha até comido sardinhas.

Foto cedida pela organização - © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

À mesma hora, mas no Palco NOS, Mac DeMarco voltava a dar música aos portugueses, ele que encantou no Vodafone Paredes de Coura do ano passado. O concerto contou com vários problemas técnicos, mas que foram bem disfarçados com o canadiano a mostrar todo o seu humor e à vontade com o público português, chegando a convidar os festivaleiros para um after party: Amanhã só temos de ir embora pelas quatro da tarde, por isso esta noite podíamos ir sair. Se vocês quiserem, claro.” O jovem de 25 anos trouxe ao Primavera o seu Salad Days, de onde se puderam ouvir Salad days, Blue Boy e Cooking Up Something Good, temas mais familiares dos festivaleiros presentes.

Mac DeMarco e o à vontade com o público português

Mac DeMarco e o à vontade com o público português

Mesmo ao lado, no Palco Super Bock, FKA twigs confirmou tudo o que a crítica tem escrito sobre ela. A britânica trouxe ao Porto longas, mas tão boas batidas com baixos bastante poderosos. Tahliah Debrett Barnett, o nome de baptismo de FKA twigs, teve a seu lado apenas três músicos, o que soube a pouco quando comparado com os espectáculos que a cantora faz a solo. No entanto twigs está cada vez mais uma performer, através de danças e muita sensualidade a pontuarem a actuação muito bem conseguida, culminando em músicas como Two Weeks ou Papi Pacify. O público soube responder à altura, enchendo o Palco Super Bock.

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Mais tarde, em prime time, o Palco NOS recebeu os Interpol para um concerto sem história e com a banda ligada a fazer os mínimos para ter uma actuação aceitável. A banda recorreu ao vasto repertório para suportar o concerto. Apesar da temática best-of também foram tocados temas do álbum mais recente da banda, El Pintor. Com várias falhas vocais por parte do vocalista Paul Banks, os Interpol deram um concerto que não ficará na história.

Foto cedida pela organização - © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Depois deste percalço dos Interpol era necessário algo para animar e dançar, porque o frio era cada vez maior. No Palco Super Bock, The Juan Maclean foram os salvadores para todos os nossos males. Com sintetizadores e muitos teclados, a banda apresentou uma electrónica “a fugir para o house” bem deliciosa. Era impossível estar quieto. A batida mexia connosco e, bolas, foi tão bom!

Foto cedida pela organização - © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Foi a Caribou que coube a responsabilidade de fechar o primeiro dia de festival. A hora já ia avançada e como era dia de trabalho, muito do público já tinha abandonado o recinto. Ainda assim, e para mudar ideias àqueles que iam para a porta, Dan Snaith entrou com tudo com o tema Our Love, que tocado ao vivo ganha uma linha de baixo impressionante. A fórmula foi mesmo esta, transformar o concerto numa festa para os amantes da música electrónica, que certamente ficaram deliciados. O concerto merecia mais público, no entanto, quem estava presente fez-se ouvir e ganhou um encore. Can’t do Witout You foi o tema que finalizou o concerto, ideal para simbolizar este dia de festival, impossível sem Caribou.

Fotografias: Joana Isabel Mendes