NOS Alive, dia 12 de julho: Nem sempre há finais felizes

NOS Alive, dia 12 de julho: Nem sempre há finais felizes

O último dia do NOS Alive teve menos público do que seria esperado. Apesar deste contratempo, as bandas conseguiram reagir bem à falta de entusiasmo que existia no lado de cá do palco. Sem nenhuma banda a destacar-se, o último dia do Alive soube a pouco.

A primeira coisa que vimos quando chegámos ao NOS Alive foi a actuação dos portugueses You Can’t Win Charlie Brown no Palco NOS. O concerto começou com problemas técnicos. Na zona em que estávamos mal conseguíamos distinguir uns instrumentos dos outros. O concerto lá seguiu e os problemas foram resolvidos. Quem parece não ter sentido nada foram as primeiras filas junto ao palco, que não pararam um segundo de torcer pelo grupo português.

You Can't Win Charlie Brown

Num registo bastante diferenciado passámos pelo Jardim Caixa Comédia, onde encontrámos o Humorista (João Cunha). Com o seu estilo de humor bastante incomum ainda conseguiu animar uma plateia bastante composta. Mas quem encheu verdadeiramente o Jardim Caixa foi Hugo Sousa. O humorista portuense obrigou pessoas a ficarem de pé junto à entrada da tenda, porque não havia mais nenhum sítio. O set foi também muito bom, originando grandes aplausos e risos.

Hugo Sousa

Depois de um bom tempo a rir, seguimos para o Palco NOS para ver como estava a ser o concerto dos The Black Mamba. Mais uma vez o público também não estava em grande número, nem muito concentrado no que estava a acontecer em cima do palco. Selfies à parte, os Black Mamba deram um concerto morno, uma tendência do dia.

The Black Mamba

No Palco Heineken alguma expectativa para ver os The War on Drugs.A tenda deste palco era demasiado pequena para acolher tanta gente a querer ver a banda americana. O concerto foi marcado por fortes guitarras e com um público, finalmente, a corresponder.

Depois nova incursão pelo Jardim Caixa Comédia, desta feita para ver António Raminhos. À semelhança de Hugo Sousa, Raminhos também encheu a tenda da comédia e trouxe consigo um set bem disposto e que sacou muitas gargalhadas a todos os presentes.

Virando novamente para o Palco NOS, os Bastille. Com um público fortemente adolescente, a banda londrina subiu a palco e de imediato foi recebida com gritos e histeria habitual da idade da plateia. Com Bad Blood na bagagem, a música que se fez ouvir foi sobretudo pop sem grandes rodeios e com capacidade para apaixonar as jovens de coração mole.

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A nível de temas, destaque para o Pompeii, o tema mais conhecido da banda e à qual a reacção do público fez-se sentir.

De boysband em boysband, o Palco NOS recebia agora os Foster The People. Com a sua pop bem definida, sem grandes intenções de se desviar do estilo. Todos bem-vestidinhos, músicas de acordo com o disco, falsetes harmoniosos. Com um punhado de temas bem conhecidos e orelhudos, os Foster The People conseguiram arrancar alguns coros e aplausos, mas nada de muito mais. E destaque para a má gestão, Pumped Up Kicks não foi sequer o último tema do concerto, não tendo deixado uma verdadeira marca.

Foster the People

A última banda a passar pelo Palco NOS foram os The Libertines.A primeira palavra que nos surge é: deslocados. Desde o início, quando a banda foi anunciada para o NOS Alive que havia essa impressão. Em Portugal os Libertines não têm assim tanto público. Eram enormes as clareiras em branco à frente do palco, apenas um grupo mais restrito via o concerto com interesse, os restantes iam e vinham, de uma lado para outro sem grande atenção.

A maioria do público atento era inglês, representando a grande expressividade da banda em terras britânicas e a pouca em terras lusas. Sem grande público, os Libertines ressentiram-se. Não havia necessidade de grandes loucuras, pois o público não respondia. Mesmo nas músicas mais conhecidas a excitação era quase nula. Um concerto competente, mas com a noção clara de que era para inglês ver.

Pete Doherty

O útlimo dia do NOS Alive é a prova que nem sempre há finais felizes, um dia morno sem a excitação que houve nos outros dois. Para o ano o Alive regressa também no segundo fim-de-semana de julho.

*Este artigo foi escrito, por opção dos autores, segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1945

Fotos cedidas pela organização